20 mulheres que fizeram acontecer em 2017

Por Redação RME – Maitê Borges de Oliveira
Fotos: Divulgação

Esse ano vimos de perto iniciativas incríveis de mulheres que não medem esforços para lutar pelos direitos umas das outras e realizam sonhos em suas carreiras, os próprios e das pessoas ao redor. Muitas delas não estão nas listas dos grandes veículos tradicionais. Pode ser que você não conheça algumas. É exatamente esse nosso ponto: queremos espalhar a boa notícia que é ter mulheres tão inspiradoras fazendo tanta coisa transformadora!
Vamos lá?

Adriana Barbosa

Há 15 anos, após ser demitida da gravadora onde trabalhava, Adriana começou a fazer feiras de rua para vender roupas. Foi quando surgiu a ideia da Feira Preta, um evento que reúne cultura, produtos e serviços sob a estética afro. Esse ano, a Feira Preta reuniu mais de 15 mil pessoas e Adriana foi eleita como uma das 51 pessoas negras mais influentes em cultura e mídia no mundo pelo Most Influential People of African Descent, o MIPAD, um órgão que reconhece pessoas que fazem ações transformadoras para a sociedade.

 

Ana Lucia Keunecke

Ana é advogada de direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e uma das fundadoras da associação feminista Artemis, que atua contra a violência doméstica e obstétrica. Em setembro desse ano, ela foi vítima de estupro por um homem que conheceu no Tinder e sofreu uma série de ataques e críticas de pessoas que atribuíam a ela a culpa pela violência. Ana Paula falou publicamente sobre o assunto, recebeu relatos de outras mulheres que passaram por situações parecidas e os reuniu em uma denúncia que encaminhou ao Ministério Público.

 

Camila Achutti

Com apenas 25 anos, Camila é empreendedora de duas startups na área de tecnologia e inovação: a Mastertech, uma escola de programação, UX, Design Thinking e Empreendedorismo; e a Ponte 21, uma consultoria em inovação. Além disso, é a criadora do blog Mulheres na Computação, onde iniciou sua militância pela inclusão de mulheres na área de tecnologia, desmistificando ser uma área própria para homens. Esse ano, a Mastertech fechou uma parceria com a Estação Hack, um projeto do Facebook, que irá oferecer vagas para cursos intensivos de programação, reealizados em finais de semana, e bolsas para a academia profissional de programação.

 

Clara Averbuck

A escritora feminista e fundadora do site Lugar de Mulher lançou o movimento #MeuMotoristaAssediador após ser estuprada por um motorista de Uber em agosto desse ano. Ela escreveu um relato em suas redes sociais e se juntou a outras militantes para criar a campanha, com o objetivo de incentivar e encorajar outras mulheres vítimas de estupro, abuso e violência a denunciar os casos.

Dilma Campos

Começou sua carreira como atriz e bailarina, atuando nos palcos e na TV, para pagar seus estudos. Seu papel de maior destaque foi no programa Castelo Rá-tim-bum, produzido pela da TV Cultura. Com a experiência em teatros e espetáculos, começou a aprender sobre estratégia de marketing, construção de marca e organização de eventos. Anos depois ela sentiu que era hora de deixar a carreira artística de lado para encarar novos desafios. Assim, mergulhou no universo do empreendedorismo ao criar a Agência Outra Praia, especializada em eventos e marketing promocional.

Erika Malunguinho

Erica encarou o conflito de ser negra, mulher, transexual e nordestina em São Paulo, ao se mudar para a capital aos 19 anos. É ativista, educadora e artista, ela trabalhou na área da educação por muitos anos, atuando na formação de professores com temas ligados a arte, cultura e política. Ela é fundadora do Aparelha Luzia – conhecido como quilombo urbano – um centro cultural e político de resistência negra na cidade de São Paulo, onde acontecem festas, cursos, formações e debates.

Fernanda de Lima

É CEO da Gradual Investimentos, atua há mais de 20 anos no mercado de capitais, nove deles trabalhando no exterior em empresas como a Merrill Lynch, em Nova Iorque, e a JP Morgan, em Londres. Foi vice-presidente de M&A Operações. Quando retornou ao Brasil, foi cofundadora da InfoMoney, o maior site financeiro do país. Este ano, fundou junto com Ana Fontes, CEO da Rede Mulher Empreendedora, a W55 uma aceleradora e escola para mulheres empreendedoras.

Gabriela Corrêa

Ela nunca se intimidou com profissões comumente associadas aos homens. Depois de crescer ajudando o pai em sua oficina mecânica, montou uma empreiteira. Após erros e acertos, hoje Gabriela aposta de novo no empreendedorismo para ajudar outras mulheres a, assim como ela fez, trabalharem em setores em que elas ainda sofrem preconceito, com o Lady Driver – o primeiro aplicativo de transporte só para mulheres. O app, lançado para o público em março, em um mês já contava com mais de duas mil motoristas cadastradas na região de São Paulo.

Heley de Abreu 

Em outubro desse ano houve a tragédia em Janaúba, quando um incêndio criminoso tomou conta de uma creche da cidade. Lembramos de Heley por dar a própria vida e salvar, ao menos, 25 crianças.

Iza 

A cantora carioca foi uma das maiores surpresas para o cenário musical feminino de 2017. Seu estilo musical mistura hip-hop, funk e R&B e seus hits principais “Te pegar” e “Pesadão” bateram mais de um milhão de views no youtube.

Karol Conká 

É uma das maiores cantoras de rap feminino do Brasil, conhecida pelas suas músicas sobre empoderamento feminino negro, feminismo e liberdade de escolha. Ao iniciar sua carreira como rapper, aos 17 anos, ainda não era famosa, mas já cantava profissionalmente e fazia alguns shows, quando se descobriu grávida dois anos depois. Karol revela em entrevistas ter sofrido muito preconceito por ser negra, mãe solteira e estar em início de carreira, mas que isso tudo a fortaleceu.

Luana Hansen

Lésbica assumida, a rapper tem 16 anos de carreira e uma trajetória marcada pela discriminação e usa a música para lutar por direitos. Chegou a ser usuária de crack e encontrou no rap uma porta de escape. Ativista do movimento negro, ela criou a música da Marcha das Mulheres Negras.

Luedji Luna

Cantora e compositora, Luedji Luna nasceu em Salvador e lá deu seus primeiros passos musicais. Começou a escrever ainda na escola, como válvula de escape para o racismo que sofria de seus colegas de sala. Ela lançou seu primeiro disco esse ano, chamado “Um Corpo no Mundo”, por meio de financiamento coletivo, e nele incorporou  referências africanas, de músicos angolanos e de Cabo Verde. Luedji também é co-fundadora do Palavra Preta, mostra que reúne compositoras e poetas negras de todo o Brasil. Em entrevista à revista Carta Capital, a cantora afirma que as mulheres negras são empreendedoras por natureza: “Sem dinheiro fica muito mais difícil executar qualquer projeto. Eu só não digo que é impossível porque nós, mulheres negras, somos empreendedoras por excelência. O que temos feito há mais de 500 anos é criar estratégias de sobrevivência”. 

Maitê Lourenço

É psicológa e já atua na área organizacional de empresas há mais de 10 anos. Quando criou seu primeiro negócio, a Cia de Currículos, passou a frequentar espaços de empreendedorismo, tecnologia e startups, e se deu conta que sempre era a única negra dos locais. Surgiu então a ideia de fundar a BlackRocks, uma empresa de consultoria e aceleração voltada a empreendedores negros. Esse ano, a empresa realizou diversos eventos e mentorias na cidade de São Paulo e Maitê recebeu o Prêmio Veja-se, da Revista Veja, na categoria Diversidade.

Maitê Schneider

É fundadora da Transempregos, projeto que busca inserir transexuais e travestis no mercado de trabalho, e uma das fundadoras da Associação Brasileira de Transgêneros, que tem o objetivo de colaborar com estudos acadêmicos e compreensão das questões sobre pessoas trans, além de conscientizar a sociedade sobre a questão transgênera. Para que, aos 45 anos, Maitê fale abertamente sobre o assunto foi um processo doloroso. Foram 14 cirurgias, duas delas expondo-a a risco de vida devido à precariedade do SUS, no que diz respeito à questão da transexualidade. Hoje ela usa sua história como exemplo para outras pessoas que passam por esta situação, além de lutar pelos direitos das mesmas.

Monique Evelle

A baiana de 22 foi reconhecida esse ano pela revista Forbes como uma dos 30 jovens com menos 30 anos mais promissores do país. Monique criou a organização Desabafo Social em 2011, que promove a educação em direitos humanos de jovens de periferia por meio da comunicação e de novas tecnologias. O projeto foi reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Direito da Criança e do Adolescente (ABMP) e ganhou o Prêmio Laureate Brasil. Ela também fundou a Kumasi, um marketplace para empreendedores afrodescendentes. Atualmente, Monique integra a equipe do Profissão Repórter, da Rede Globo.

Patrícia de Jesus

Segundo o IBGE, a população negra no Brasil soma 53,6%. No entanto, no mercado corporativo, apenas 4% dos executivos são negros. A Patrícia estava inserida nesse contexto e há 13 anos decidiu fundar a EmpregueAfro, uma consultoria de recursos humanos focada em diversidade étnico-racial e em preparar profissionais negros para o mercado. Esse ano ela passou a fazer parte do Programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo.

Rachel Maia

CEO da Pandora no Brasil, ela representa 0,4% do universo de presidentes de empresas que são mulheres negras. Em 2009, quando ingressou na empresa, a Pandora tinha apenas duas lojas. Hoje, são mais de 92 pontos entre franquias e lojas próprias. No palco do Fórum Empreendedoras desse ano, Rachel afirma sua posição de representatividade, mas alerta que é medíocre se contentar apenas com a diversidade. Ela lembrou o público que as mulheres recebem em média 23% a menos que homens e uma em cada 5 negras brasileiras trabalha como empregada doméstica.

Sonia Guimarães

É a primeira mulher negra brasileira a obter o título de doutora em Física, adquirido pela The University Of Manchester Institute Of Science And Technology, e uma das poucas mulheres a fazerem parte do quadro do Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA. Estudante de escola pública durante toda a vida, Sonia trabalhava na adolescência e todo seu dinheiro era destinado a pagar o cursinho, já que fazia ensino médio técnico. Sonhava em ser engenheira civil, mas foi orientada por um professor a colocar como opções no vestibular os cursos que tivessem menor procura. Sua escolha foi para física e apaixonou-se pelo curso. Ela também é fundadora da ONG Afrobrás, e colaboradora da Universidade Zumbi dos Palmares.

Taís Araújo

A atriz foi uma das personalidades brasileiras, junto com Adriana Barbosa e Lázaro Ramos, a receber o prêmio Most Influential People of African Descent, que reconheceu as personalidades negras influentes no mundo. Taís foi palestrante do TEDx em agosto e sua palestra com o tema “como criar crianças doces num país ácido” viralizou na internet. “No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e blindem seus carros”, disse.

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RME - Rede Mulher Empreendedora
A Rede Mulher Empreendedora foi idealizada em 2010, durante o “Programa 10 mil Mulheres da FGV”, por Ana Lúcia Fontes e Alice Salvo Sosnowski. Exemplo de como boas ideias e muita boa vontade podem mudar o mundo, especialmente, na área dos negócios. A RME, como é conhecida, conta com mais de 300 mil empreendedoras cadastradas e que acessam, em seus diversos canais de informações, conteúdos, dicas e notícias sobre empreendedorismo.